O segundo trimestre do ano está começando. Neste contexto, Rony Szuster, Head de Research do Mercado Bitcoin, realizou uma análise sobre o Bitcoin e compartilha sua opinião sobre o que esperar da criptomoeda neste novo trimestre. Confira a seguir.
O Bitcoin vive um momento de “cabo de guerra”
De um lado, o cenário global está mais pesado. O conflito no Oriente Médio pressiona o preço do petróleo, já que o Estreito de Hormuz concentra cerca de 20% do fluxo mundial.
Com menos oferta, os preços sobem, o que aumenta a inflação global.
Inflação mais alta tende a manter os juros elevados por mais tempo. Isso reduz a liquidez,
ocasionando em menos dinheiro circulando e menor apetite por risco. Nesse ambiente,
ativos como o Bitcoin costumam sofrer mais no curto prazo.
Do outro lado, há sinais de força. Grandes investidores seguem comprando, o que indica
confiança e uma visão mais otimista no longo prazo, mesmo diante do cenário macro mais
desafiador.
No fim, o mercado fica dividido entre essas duas forças: pressão macro no curto prazo e
acumulação por players relevantes, que pode sustentar ou antecipar uma recuperação.
O eco do passado
Além do macro, o mercado também conversa com a própria história. E o que ele está
“falando” agora chama atenção. O comportamento atual do Bitcoin lembra muito o ciclo
de queda de 2021–2022.

Se esse padrão continuar: A margem de US$60 mil aparece como suporte natural. E, em um cenário mais extremo, algo próximo de US$50 mil.
Não é uma certeza. Se fosse, todos já estaríamos multimilionários. Trata-se, no entanto, de
um roteiro que já se repetiu no passado, e o mercado costuma reproduzir padrões.
Então por que o Bitcoin não caiu mais?
Mesmo com tudo isso acontecendo, o Bitcoin não desabou. Muito pelo contrário. Nos
primeiros 20 dias do conflito no oriente médio:
● O Bitcoin apresentou alta de 6,2%, enquanto o ouro registrou queda de 12,9% e o
S&P teve retração de 4,4%.
Ou seja, enquanto o cenário global se tornou mais tenso, o Bitcoin seguiu o caminho oposto e subiu. Desde 13 de fevereiro, investidores de longo prazo acumularam mais de
192 mil BTC. Esse grupo não reage ao barulho. Eles já viram esse filme várias vezes. E
quando começam a acumular… não é por acaso.
ETFs: o fluxo voltou onde ninguém esperava
Desde 24/02/2026 até 24/03/2026: tivemos +US$2,58 bilhões de entradas líquida, segundo dados do SoSoValue.
E aqui está o detalhe que faz diferença. Esse dinheiro não entrou na euforia. Entrou no
desconforto. Isso fica nítido ao olhar para o índice de medo e ganância nesse período:

O que isso tudo quer dizer para frente
Quando juntamos as peças, o cenário fica mais claro. No passado, nas quedas, o suporte
vinha quase só dos investidores de longo prazo. Havia muita pressão de venda e pouca
força para absorver.
Hoje, esse equilíbrio mudou. Existe um colchão de demanda maior, com investidores de
longo prazo acumulando, ETFs voltando a comprar e empresas absorvendo mais do que a nova oferta. Isso fortalece o lado comprador. Não impede quedas, mas tende a reduzir
sua intensidade, com correções mais curtas e recuperações mais rápidas.
O indicador que ajuda a traduzir esse momento
O indicador que ajuda a entender esse momento é o MVRV. De forma simples, ele compara
o preço médio atual do Bitcoin com o preço médio de compra dos investidores no blockchain, funcionando como um termômetro do mercado.
Com ele, é possível avaliar se o ativo está caro, barato ou equilibrado, além de podermos
calcular a relação entre risco de queda e potencial de alta.

Hoje, esse indicador aponta para um dos cenários mais interessantes do ciclo:
● Risco de queda: ~20–35%
● Potencial de alta: ~100–160%
● Preço referência: US$67 mil
Mas o ponto mais importante não é só o número. É o contexto. Esse tipo de assimetria
costuma aparecer quando: O mercado ainda está desconfiado, mas o dinheiro mais experiente já começou a se posicionar.
O mercado deve seguir dois caminhos, com o conflito no Oriente Médio como principal fator:
Cenário otimista: Se houver alívio nas próximas semanas, o ambiente macro melhora, o
apetite por risco volta e o Bitcoin pode buscar a região de US$84 mil ainda neste trimestre.
Cenário desafiador: Se o conflito se prolongar, a pressão aumenta e o Bitcoin pode testar
níveis mais baixos, próximos de US$50 mil. Ainda assim, a maior demanda estrutural tende a limitar as quedas, indicando um possível fundo mais alto, na faixa dos US$60 mil, e
recuperação mais rápida ao longo do ano.
Independentemente do cenário, já estamos em uma região historicamente favorável
de acumulação, com melhor relação entre risco e retorno no longo prazo.




