sexta-feira, março 20, 2026
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Binance Research aponta que o Bitcoin atraiu US$ 1,5 bilhão enquanto ETFs tradicionais caíram em meio à crise do petróleo

Em meio ao maior choque energético global recente envolvendo o petróleo, o Bitcoin vem atraindo capital, ao mesmo tempo que investidores reduzem exposição a ativos tradicionais, sugerindo uma mudança relevante no comportamento de alocação em cenários de estresse geopolítico. É o que mostra o relatório semanal da Binance Research, publicado na última quinta-feira (19).

Binance Research

A volatilidade do petróleo bruto está extremamente elevada desde que os Estados Unidos
lançaram ataques contra a Ilha de Kharg, principal terminal de exportação de petróleo do Irã, em resposta ao bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz. Com isso, aproximadamente 20% da oferta global de petróleo foi afetada.

Nesse contexto de forte tensão geopolítica global, o Bitcoin tem apresentado tendência
de valorização, sugerindo que ele pode funcionar como uma proteção específica contra
riscos geopolíticos extremos, em vez de um ativo de refúgio convencional. É o que aponta a análise de Lim Kim Thye, da Binance.

Preço do Bitcoin após o desenrolar de um conflito geopolítico – Fonte: TradingView, Binance Research (19/3)

Para ele, embora o período de observação desde o ataque inicial ainda seja limitado, a movimentação do preço do Bitcoin exibiu características notáveis de aversão ao risco — mantendo uma correlação positiva com o petróleo bruto, o dólar e os títulos. Enquanto isso, as ações e o ouro foram impactados negativamente pelo ocorrido.

“Essa divergência sugere uma crescente disposição institucional em utilizar ativos digitais
como ferramenta de diversificação de portfólio, particularmente em meio à acentuada
volatilidade macroeconômica e à incerteza geopolítica”, destaca o relatório da Binance
Research.

Correlação de preço do BTC exibindo característica de hedge geopolítico – Fonte: TradingView, Binance
Research (19/3)

Ainda de acordo Lim Kim Thye, os fluxos de ETFs de Bitcoin reforçam ainda mais essa tese, registrando entradas líquidas positivas de US$ 1,5 bilhão desde o início do conflito. Em contrapartida, os ETFs dos índices S&P 500 e Nasdaq sofreram saídas líquidas significativas de US$ 4,04 bilhões e US$ 2,58 bilhões, respectivamente, no mesmo período — o que evidenciaria uma divergência nas preferências de alocação dos investidores em meio ao atual cenário geopolítico.

ETFs de Bitcoin demonstram forte interesse institucional durante conflito geopolítico – Fonte: Koyfin, Binance
Research (19/3)

Strategy

Após um volume recorde de negociações com suas ações preferenciais, a Strategy (STRC), — maior empresa de tesouraria de Bitcoin do mundo — vendeu 11,9 milhões de ações STRC, arrecadando aproximadamente US$ 1,18 bilhão. Somando-se a isso as vendas adicionais de ações ordinárias Classe A da MSTR, a empresa investiu um total de aproximadamente US$ 1,57 bilhão para adquirir 22.337 BTC em 16 de março.

Ao longo do ano, a Strategy acumulou aproximadamente 878 mil BTC (20% em
comparação com 2025), A um custo total de cerca de US$ 7,17 bilhões (32% em comparação com 2025), o que reforça sua postura agressiva de acumulação contínua.

O crescimento contínuo na adoção desse instrumento de investimento — juntamente com um número crescente de empresas que o utilizam como ferramenta de captação de recursos — provavelmente aumentará a capacidade de acumulação de ativos digitais corporativos e contribuirá para uma mudança estrutural de preços no médio prazo.

O que esperar para o Bitcoin

Finalmente, olhando para o futuro, o relatório ressalta que os preços do petróleo, a situação no Estreito de Ormuz, as infraestruturas energéticas do Golfo e a conjuntura mais ampla do Oriente Médio continuam sendo os principais fatores macroeconômicos. Para o Bitcoin, uma sustentação acima de US$ 70.000 é crucial para que qualquer recuperação possa ser caracterizada com convicção, e não ser descartada como um mero repique passageiro.

Pedro Fonseca
Pedro Fonseca
Jornalista formado pela UNESP-Bauru (2016-2019), com MBA em Negócios Digitais pela USP Esalq (2022-2024). Possui experiência como assessor de comunicação, assessor de imprensa, redator e locutor. Já atuou em iniciativa social e em agência de comunicação, lidando com empresas e personas das áreas de saúde, autodesenvolvimento, tecnologia, empreendedorismo, entre outras.
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