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Rony Szuster, Head de Research do Mercado Bitcoin: O que está acontecendo com o Bitcoin e o que você precisa saber para março?

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O mês de fevereiro está chegando ao fim. Assim, Rony Szuster, Head de Research do MB | Mercado Bitcoin, busca responder a o que está acontecendo com o Bitcoin neste mês. Além disso, também tenta prever o que vem por aí. Confira sua análise sobre a criptomoeda.

Bitcoin

Por Rony Szuster, Head de Research do MB | Mercado Bitcoin:

Antes de qualquer coisa, vamos simplificar. O mercado é como o clima: você nunca controla a chuva, mas pode decidir se sai sem guarda-chuva ou preparado. Em fevereiro, o Bitcoin está em um momento que historicamente já vimos antes: um período de baixa prolongada do seu valor de mercado. A pergunta não é “vai cair ou subir amanhã?”, mas sim: em que parte da tempestade estamos?

Quanto tempo costumam durar as quedas?

Vamos olhar para o passado, assim conseguimos identificar padrões de oscilação de preço
do Bitcoin.

Nos últimos ciclos:
2013 – 2015 → Cerca de
13 meses de queda

2018 – 2019 → Cerca de
12 meses de queda

2021 – 2022 → Cerca de
12 meses de queda

Se o topo do valor de mercado aconteceu em outubro de 2025 (em torno de US$126 mil),
seguindo esse padrão, o período de baixa poderia se estender até outubro de 2025.

E se olharmos o Bitcoin contra o Ouro?

Imagine que você mede o preço do Bitcoin em ouro, e não em dólar. O dólar é a moeda do
sistema, enquanto o ouro é a reserva de valor tradicional há milhares de anos. É como
medir a altura de alguém usando dois tipos de régua. Historicamente, o padrão também foi
de 12 a 13 meses de queda, mas houve uma diferença importante neste ciclo: o topo do
Bitcoin em ouro aconteceu em janeiro de 2025, enquanto o topo em dólar aconteceu em
outubro de 2025.

Ou seja, contra o ouro, o ciclo virou antes. Se seguirmos o padrão histórico medido em
ouro, o fundo poderia ocorrer por volta de fevereiro de 2026, com possível recuperação a
partir de março de 2026.

O que está causando essa incerteza?

Desde o início do novo mandato de Donald Trump, o mundo tem lidado com tarifas
comerciais agressivas, conflitos institucionais internos nos Estados Unidos, disputas
judiciais envolvendo decisões tarifárias e tensão geopolítica dos EUA com China, Irã
e outros países. Neste cenário, o indicador que mede o nível de incerteza do mercado
cripto disparou. É como se o mercado estivesse dirigindo numa estrada com neblina densa.

Quando há neblina, as pessoas reduzem a velocidade ou até mesmo param o carro; em
termos de mercado, é como correr para o que consideram mais seguro naquele momento,
perdendo perspectiva do futuro. Nesse caso, o ouro se beneficiou muito dessa incerteza, o
que explica por que o Bitcoin contra o ouro sofreu mais do que contra o dólar.

E os ETFs?

Quanto aos ETFs, eles foram importantes porque permitiram ao grande dinheiro investir em
Bitcoin com facilidade. Antes deles, grandes fundos precisavam lidar com tecnologia,
segurança digital e estruturas complexas. O ETF resolve isso, permitindo que fundos de
pensão, grandes gestoras, bancos e fundos soberanos comprem Bitcoin como se fosse
uma ação comum. Isso abriu a porta para o capital institucional. Desde novembro, saíram
cerca de US$7,8 bilhões, de um total de aproximadamente US$61,6 bilhões, algo próximo
de 12%. No mercado, o que move o preço não é o dinheiro parado, mas o que entra ou sai
naquele momento.

Quando há resgates, o ETF precisa vender Bitcoin, pressionando o preço. Nem todo
dinheiro dentro do ETF se comporta da mesma forma: existe uma base maior, mais
estratégica, e um capital mais sensível às quedas e ao medo, que reage mais rápido. Em
momentos de incerteza, geralmente esse capital mais reativo sai primeiro. Por isso, os
fluxos dos ETFs hoje têm relação com o preço, sem que isso signifique necessariamente que o investidor de longo prazo desistiu do Bitcoin. Historicamente, os maiores retornos vieram exatamente após esses momentos.

O que as baleias estão fazendo?

Baleias são investidores com grandes quantidades de Bitcoin, normalmente 1.000 BTC ou
mais, capazes de movimentar o mercado. Enquanto pequenos investidores entram em
pânico, elas agem com frieza, servindo como bússola para identificar topos e fundos. Por
exemplo, a Mubadala Investment Company, fundo soberano de Abu Dhabi, aumentou sua
exposição a mais de US$1 bilhão em ETFs no final de 2025/início de 2026, tratando o
Bitcoin como ouro digital de longo prazo, e não como aposta de curto prazo.

O sentimento do mercado está em nível extremo.

Quando está chovendo, todos querem comprar guarda-chuva, por isso o preço sobe;
quando o sol aparece, o interesse no item diminui e o preço cai. Historicamente, comprar
durante períodos de medo foi mais eficiente do que comprar na euforia. Isso significa que já

é o fundo? Não. Mas significa que, estatisticamente, estamos na zona onde os melhores
preços médios costumam ser construídos.

Estratégia Prática

A estratégia prática para o investidor em cripto é construir posição com inteligência. Por
exemplo, no fundo anterior de US$15 mil até o topo de US$126 mil, quem fez preço médio
de compra em US$30 mil, acumulando fracionadamente o ativo durante os momentos de
medo, e vendeu fracionadamente em US$90 mil em zonas de euforia, conseguiu retornos
significativos, sem tentar acertar fundo ou topo.

Atualmente, temos dois cenários possíveis: ainda restam alguns meses de pressão ou
estamos perto da virada. Mas ambos compartilham algo importante: estamos na parte do
ciclo em que historicamente são construídos os melhores preços médios.

Quem faz aportes fracionados agora diminui o risco de errar o timing, remove a ansiedade e se posiciona antes da euforia voltar. O mercado é cíclico, e o medo pode parecer
permanente enquanto estamos dentro dele. Historicamente, os períodos de maior medo
foram justamente onde nasceram as maiores oportunidades.

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