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TokenNation – executivos do setor apontam que novas regras para stablecoins devem mudar a dinâmica do mercado cripto no Brasil

Na última segunda-feira (16), a TokenNation promoveu um encontro entre executivos de algumas das principais exchanges globais. Eles discutiram os impactos das novas regras para stablecoins e os próximos passos da regulação de ativos digitais no Brasil. Confira mais informações sobre esta e outras notícias recentes de destaque relacionadas ao setor cripto.

TokenNation 2026

O painel, mediado pela jornalista Claudia Mancini, reuniu Thiago Sarandy, chefe de
Assuntos Regulatórios e Jurídicos da Binance no Brasil e em El Salvador, e Fábio Plein,
diretor regional para as Américas da Coinbase. Ao longo da conversa, os executivos
analisaram como o avanço regulatório pode influenciar a adoção institucional de
criptomoedas e a relação do setor com governos, empresas tradicionais e investidores.

Entre os principais pontos, destacou-se que o processo regulatório brasileiro vem sendo construído ao longo de anos de diálogo entre o Banco Central e a indústria, com participação ativa das empresas do setor. Ainda assim, parte das regras exige detalhamentos adicionais, o que tem gerado complexidade na implementação.

O novo marco regulatório estabelece, por exemplo, a obrigatoriedade de reports periódicos às autoridades e limites operacionais, como transações de até US$ 100 mil em determinados casos. Assim, a discussão apontou que este contexto pode criar desafios práticos para as empresas. Além disso, questões operacionais ainda não resolvidas, como a execução de transações acima dos limites estabelecidos e a duplicidade de reportes exigidos por diferentes órgãos reguladores, aumentam a carga operacional do setor.

Thiago Sarandy

De acordo com Thiago Sarandy, a estrutura criada pelo Banco Central representa um avanço relevante, mas levanta preocupações, especialmente para empresas menores.
“De forma geral, a regulação ficou muito completa, mas ao mesmo tempo pesada
quando pensamos em exigências de capital. Quando olhamos para empresas menores,
isso pode ser uma questão de sobrevivência e, consequentemente, pode tirar muitos
players pequenos do setor”.

Da mesma forma, Sarandy também destacou que o excesso de exigências pode impactar a diversidade do mercado e reforçou a importância de manter o diálogo aberto com o regulador para ajustes na implementação.

“O Banco Central pesou na regra de três diretores, algo mais próximo da regra aplicada
a bancos. Nós, como empresa grande, conseguimos manejar, mas existe uma grande
quantidade de empresas pequenas que ainda estão tentando se adaptar. Há produtos
que vendíamos e que agora, por uma questão regulatória, não poderemos mais
oferecer. Quem perde é o usuário, que usava esse produto há sete anos e agora não
conseguirá mais utilizá-lo. O receio regulatório não pode ser tão nocivo a ponto de
afetar o Brasil, que hoje está em quinto lugar em adoção de Web3.”

Fábio Plein

Para Fábio Plein, o cenário regulatório brasileiro ainda está em construção e exigirá um
período de adaptação por parte das empresas.

“As diversas consultas públicas que o Banco Central realizou ajudaram bastante. Alguns
pontos foram mais restritivos, como em relação a tipos de reports internacionais e
limites de até 100 mil dólares, o que traz certa complexidade operacional. Ainda assim,
no geral, acredito que o cenário é positivo. Temos um processo pela frente e o grande
marco será a adaptação a partir de outubro, quando as empresas terão que submeter
seus registros para que o banco avalie e emita a licença.”

Os executivos também apontaram que temas como derivativos ainda carecem de avanços regulatórios no Brasil. A ausência de um mercado estruturado limita estratégias de proteção contra volatilidade, já consolidadas em outros países.

Taxação

Outro ponto relevante foi a possível taxação de stablecoins. Segundo os participantes, a
medida pode reduzir a atratividade do produto e impactar negativamente a adoção, caso não seja conduzida de forma equilibrada.

De forma geral, a expectativa é que o ambiente regulatório brasileiro evolua nos próximos anos com maior integração entre reguladores, instituições financeiras tradicionais e empresas do setor cripto, definindo com mais clareza o papel de exchanges, bancos e novas infraestruturas financeiras na economia digital.

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Pedro Fonseca
Pedro Fonseca
Jornalista formado pela UNESP-Bauru (2016-2019), com MBA em Negócios Digitais pela USP Esalq (2022-2024). Possui experiência como assessor de comunicação, assessor de imprensa, redator e locutor. Já atuou em iniciativa social e em agência de comunicação, lidando com empresas e personas das áreas de saúde, autodesenvolvimento, tecnologia, empreendedorismo, entre outras.
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