Rony Szuster, Head de Research do MB |Mercado Bitcoin, realizou uma análise sobre a queda do dólar. Confira a seguir.
O Dólar Caiu. E agora?
Entre o início de 2025 e abril de 2026, o dólar saiu da casa dos R$ 6,20 para abaixo de R$
5.

Esse movimento muda o comportamento do investidor. Antes, a lógica era mais imediata:
“preciso dolarizar agora”. Com a mudança de preço, a reflexão passa a ser outra: “posso
esperar ou devo comprar na baixa?
Mas, o que significa na prática?
Com a queda do dólar, o acesso a ativos globais se torna mais barato para o investidor
brasileiro. Isso significa maior interesse para investir fora do Brasil, seja comprando ativos
em dólar, investindo em empresas globais ou em títulos americanos.
Ao mesmo tempo, há um ponto estrutural importante: a exposição ao dólar já faz parte
do dia a dia, ainda que de forma indireta. Combustível, alimentos e tecnologia são alguns
dos itens cujo preço é influenciado pela moeda americana.
Ou seja, o dólar já está presente na vida financeira de todos, a diferença é que essa
exposição muitas vezes não é acompanhada de proteção equivalente.
Curto vs Longo Prazo
O real está forte neste momento por uma combinação de fatores estruturais e conjunturais:
● Juros elevados no Brasil: a taxa de juros alta atrai capital estrangeiro de curto
prazo, aumentando a entrada de dólares no país e pressionando a valorização do
real;
● Peso das commodities na economia: o Brasil é um dos principais produtores
globais, o que tende a beneficiar a moeda em cenários de tensão geopolítica e
busca por ativos reais;
● Vantagem energética: a presença relevante de petróleo e gás, tanto para consumo
interno quanto para exportação, fortalece a posição do país entre economias
emergentes, especialmente em períodos de volatilidade global.

O histórico da cotação do dólar em reais nesse século revela que o real pode oscilar
positivamente em certos momentos, mas o dólar tende a se valorizar contra ele no longo
prazo.
O motivo é que as estruturas são diferentes
Os Estados Unidos seguem com uma posição de liderança global, sustentada por alto nível
de investimento, inovação contínua e papel central na economia mundial. O Brasil, por outro lado, apresenta historicamente maior instabilidade macroeconômica, inflação mais elevada e desafios estruturais de produtividade.
● No curto prazo, o comportamento dos ativos e das economias pode variar bastante
conforme o contexto global;
● No longo prazo, os fundamentos tendem a apontar uma direção mais consistente
entre as duas economias.
O exemplo mais claro. Comprar um iPhone
Para entender isso de forma prática, olha esse exemplo real.

Em dólares, o iPhone ficou cerca de 55% mais caro em 16 anos, passando de aproximadamente US$ 1.028 para US$ 1.600. Entretanto, em reais, o aumento foi muito
mais expressivo: cerca de 344% no mesmo período, saindo de R$ 1.799 para R$ 7.999.
O produto encareceu globalmente, mas no Brasil o aumento foi muito maior, principalmente
pela desvalorização do real, além de inflação, impostos e outros custos locais.
E quando olhamos para o Bitcoin?
É aqui que o Bitcoin entra.

O mesmo produto mostra dinâmicas diferentes dependendo da moeda. Em real, ele fica
cada vez mais caro; em dólar, tende a se manter mais estável; e em Bitcoin, fica
progressivamente mais barato.
Isso reflete diferentes níveis de preservação de poder de compra: o real perde valor ao
longo do tempo, o dólar se mantém mais resiliente e o Bitcoin amplia esse poder de
compra.
O problema não era a ideia, era o caminho
Se dolarizar sempre fez sentido, a execução sempre foi o problema. O processo era
ineficiente, com câmbio caro, burocracia e dinheiro muitas vezes parado no fim da
operação.
Na prática, era uma proteção pouco eficiente. Isso se reflete nos números: excluindo alta
renda, cerca de 2% do patrimônio financeiro está no exterior, enquanto mais de 99% da
população permanece exposta ao real.
A virada: stablecoins de dólar
Hoje, o mercado de stablecoins atreladas ao dólar já somam cerca de US$ 320 bilhões,
sendo US$ 260 bilhões concentrados apenas em USDT e USDC, cerca de 81% do total.
No Brasil, o movimento é ainda mais expressivo: as stablecoins representam cerca de 90%
das transações cripto, com um volume que cresceu 480 vezes em seis anos, chegando a
R$ 361 bilhões em 2025. Em dezembro, movimentaram R$ 29 bilhões, um valor 14 vezes
maior que o volume de Bitcoin no período.
Ou seja, elas já se tornaram uma das principais formas de acesso ao dólar no ambiente digital.

Bitcoin
Dólar em queda, cripto em alta
O momento cria uma vantagem estratégica para quem investe em criptomoedas. Uma vez
que, quando o dólar perde força, o capital dos investidores tende a migrar para ativos de
risco em busca de maior rentabilidade.
E o Bitcoin é um dos ativos que mais se beneficiam desse movimento.
● Historicamente, quedas de 10% no índice DXY, que mede a força do dólar globalmente, foram acompanhadas por altas de mais de 50% no Bitcoin.
● O cenário atual (dólar mais acessível + BTC em recuperação) cria o contexto favorável para acelerar a diversificação fora do real
O que fazer na prática?
Em vez de tentar acertar o melhor momento, o mais eficiente é construir a exposição de
forma gradual. Hoje, já é possível estruturar uma estratégia mais completa, combinando
rendimento em stablecoins como base e Bitcoin como complemento.
Com o dólar abaixo de R$ 5, abre-se uma das janelas mais atrativas dos últimos anos para
diversificar parte do patrimônio.
*** A análise em questão é uma produção de terceiros e não necessariamente reflete a opinião da Cripto Magazine.




